Uma das orientações mais comuns antes de qualquer cirurgia é o jejum alimentar. Muitos pacientes se perguntam por que essa recomendação é tão importante e, às vezes, acabam subestimando sua necessidade. No entanto, o jejum é uma das medidas mais fundamentais para garantir a segurança durante a anestesia. Quando estamos acordados, o nosso organismo possui mecanismos naturais de proteção. Se algo do estômago retorna para a boca, o reflexo de tosse e deglutição impede que esse conteúdo vá para os pulmões.
Durante a anestesia, esses reflexos ficam temporariamente reduzidos ou ausentes, pois os medicamentos utilizados promovem relaxamento e sedação do organismo. Se o estômago estiver cheio nesse momento, existe o risco de que alimentos ou líquidos retornem para o esôfago e possam ser aspirados para os pulmões.
Essa situação é chamada de bronco aspiração e pode provocar complicações respiratórias importantes, como inflamação pulmonar ou infecção.Por isso, o jejum antes da cirurgia tem como objetivo garantir que o estômago esteja o mais vazio possível, reduzindo significativamente esse risco.De maneira geral, as orientações costumam seguir algumas recomendações médicas internacionais:
• Alimentos sólidos: jejum de aproximadamente 6 a 8 horas
• Leite ou fórmulas lácteas: cerca de 6 horas
• Líquidos claros, como água, chá ou água de coco: até cerca de 2 horas antes do procedimento,dependendo da orientação médica. Essas orientações podem variar conforme o tipo de cirurgia, idade do paciente e condições clínicas específicas. Por isso, é sempre fundamental seguir exatamente as instruções fornecidas pela equipe médica.Outro ponto importante é que mascar chiclete, consumir balas ou ingerir qualquer alimento fora do período permitido também pode interferir no jejum adequado.Caso o paciente não tenha cumprido corretamente o jejum, a cirurgia pode precisar ser adiada ou remarcada, justamente para evitar riscos desnecessários durante a anestesia.
O jejum, portanto, não é apenas uma formalidade ou uma regra burocrática do hospital. Trata-se de uma medida essencial de segurança que ajuda a tornar a anestesia e o procedimento cirúrgico mais seguros para o paciente.
Seguir corretamente essas orientações é uma forma importante de colaborar com a equipe médica e contribuir para que todo o processo cirúrgico aconteça da forma mais tranquila possível.
Dra. Paula Benedetti
Médica anestesiologista e especialista em dor – CRM-SC 25637. Formada em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG) em 2014. Residência em
Anestesiologia pela Fundação Instituto de Cardiologia de Porto Alegre (RS), concluída em 2018.
Atua como médica anestesiologista na região de Blumenau, dedicada à segurança anestésica e ao
cuidado integral do paciente cirúrgico.
