Manutenção de peso após “canetas emagrecedoras” Dra Sheila Piccoli Garcia

As chamadas “canetas emagrecedoras” estão em alta nos últimos anos e, de fato, são ferramentas revolucionárias no tratamento do sobrepeso e da obesidade. Elas atuam em áreas do cérebro e do intestino relacionadas à fome e saciedade, aumentando a sensação de estômago cheio, reduzindo o apetite e o pensamento em comida. Ainda, trazem outros benefícios metabólicos como reduzir a glicose, colesterol, pressão arterial, gordura no fígado e apneia do sono, entre outros. Porém, um ponto essencial deve ser discutido: o que acontece quando paramos o tratamento?
Sabemos que a obesidade é uma doença crônica, ou seja, não tem cura mesmo após uma perda significativa de peso. O organismo sempre vai “lutar”para manter o peso aumentado, reduzindo o metabolismo ao mesmo tempo que aumenta a fome que sentimos. Por isso, quando o tratamento é realizado e interrompido sem planejamento, é comum haver reganho de peso.
Para manter o peso após o uso dessas medicações, é essencial que o processo de emagrecimento venha acompanhado de reeducação do comportamento alimentar. Não apenas o que e quanto comer, mas também a maneira como se relaciona com a comida. Respeitar a fome e a saciedade, escolher os alimentos e sua quantidade e lidar melhor com situações de “gatilho”, como ansiedade, estresse e eventos sociais.
A atividade física é um pilar central tanto no processo de emagrecimento quanto na manutenção de peso. Ao preservar e – preferencialmente – aumentar a massa muscular, conseguimos manter o metabolismo mais ativo, reduzindo o reganho de peso após. Exames de composição corporal, como a bioimpedanciometria é útil pois permite monitorar quanto de gordura e quanto de massa magra está sendo perdido, ajudando o profissional ajustar a medicação, o plano alimentar e a rotina de exercícios para proteger a musculatura.
Sem dúvida, um ponto importante é o acompanhamento contínuo com o endocrinologista. É nas consultas que o paciente consegue analisar sua trajetória, considerar outras alternativas de tratamento, corrigir eventuais erros do dia a dia e planejar sobre redução e possível suspensão do medicamento. A decisão é individualizada, avaliando riscos, benefícios e condições de cada paciente.
Por fim, terá sucesso a longo prazo aquele paciente que entender que o tratamento não acaba quando chegou no “peso alvo” e parou a caneta. O tratamento continua diariamente, na decisão de manter escolhas saudáveis quanto à alimentação, atividade física, sono e manejo do estresse. Não é fácil, mas vale todo o esforço.

Dra Sheila Piccoli Garcia
Endocrinologia e Metabologia
CRM-SC 24.130 RQE 14.917

Formação acadêmica:
Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Residência de Endocrinologia pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
Doutora em endocrinologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.