O fígado é um dos órgãos mais complexos e essenciais do corpo humano. Por Dr. Daniel Fernando Soares e Silva.

O fígado é um dos órgãos mais complexos e essenciais do corpo humano, responsável por mais de 500 funções vitais, incluindo a metabolização de substâncias, produção de proteínas, armazenamento de energia e desintoxicação do organismo.

Apesar dessa importância, muitas doenças hepáticas evoluem de forma silenciosa, sendo diagnosticadas apenas em fases mais avançadas.Entre as condições mais comuns está a esteatose hepática, conhecida como gordura no fígado, que já afeta cerca de 30% da população mundial. Em parte dos casos, essa condição pode evoluir para inflamação (esteato-hepatite), fibrose e, posteriormente, cirrose. Outras doenças relevantes incluem as hepatites virais, especialmente B e C, que frequentemente apresentam evolução crônica e silenciosa, além de doenças mais raras, como a colangite esclerosante primária, que também pode levar à fibrose progressiva do fígado.

Um ponto central na avaliação da saúde hepática é a identificação da fibrose, que representa o processo de cicatrização do fígado em resposta a agressões contínuas. Quanto maior a fibrose, maior o risco de evolução para cirrose e suas complicações. O desafio clínico é que essa progressão costuma ocorrer sem sintomas evidentes, o que torna o diagnóstico precoce fundamental.

Nesse contexto, a elastografia hepática transitória, conhecida como FibroScan®️, tem papel decisivo. Trata-se de um exame não invasivo, rápido e indolor, que permite medir a rigidez do fígado, um dos principais indicadores de fibrose. Além disso, o exame também avalia a presença de gordura hepática por meio de parâmetros específicos, oferecendo uma análise abrangente da saúde do órgão.

Diferente da biópsia hepática, que é invasiva e envolve riscos, o FibroScan®️ pode ser repetido ao longo do tempo, permitindo o acompanhamento da evolução da doença e da resposta ao tratamento com segurança e precisão. Por isso, tornou-se uma das ferramentas mais importantes na hepatologia moderna, com milhares de publicações científicas que validam sua eficácia.

A identificação precoce de alterações na rigidez hepática possibilita intervenções antes que o dano se torne irreversível. Mudanças no estilo de vida, controle de doenças metabólicas, tratamento de infecções virais e acompanhamento especializado são medidas capazes de interromper ou até reverter estágios iniciais da doença.

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Cuidar do fígado é, muitas vezes, agir antes dos sintomas. A avaliação adequada, aliada a tecnologias modernas de diagnóstico, permite transformar uma doença silenciosa em uma condição controlável, preservando a função hepática e a qualidade de vida ao longo dos anos

Médico graduado pela Universidade Federal do Paraná em 1998. Residência Médica em Clínica Médica na mesma instituição e posteriormente em Gastroenterologia Clínica no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). Título de especialista em Gastroenterologia pela FBG e em Endoscopia Digestiva pela SOBED. Certificado de Área de Atuação em Hepatologia pela Sociedade Brasileira de Hepatologia (2009).Atualmente membro do Serviço de Transplante Hepático do Hospital Santa Isabel e médico da equipe do ESADI (Espaço de Saúde do Aparelho Digestivo), onde realiza elastografia hepática transitória e procedimentos endoscópicos diagnósticos e terapêuticos incluindo CPRE. Atuação focada em Hepatologia em consultório privado.Membro Titular da Sociedade Brasileira de Hepatologia. Presidente da Associação Catarinense para o Estudo do Fígado no biênio 2022-2023. (Texto informado pelo autor)