Corrupção em Rio dos Cedros – Prefeito Jorge Luiz Stolf (PL), o vice-prefeito Rafael Nones e uma secretária são afastados por corrupção. Valor envolvido chega a R$ 34,6 milhões.

O prefeito Jorge Luiz Stolf (PL), o vice-prefeito Rafael Nones e uma secretária de Rio dos Cedros (SC) foram afastados das funções públicas na manhã desta terça-feira (6). Alvos da Operação “Passe de Mágica”, deflagrada pela Polícia Civil, eles são suspeitos de participar de um esquema de corrupção e fraude em licitações..

Além disso, um servidor público da cidade também foi afastado. A Justiça determinou ainda a suspensão de contratos e pagamentos a empresas investigadas, a proibição de contato entre investigados, o sequestro de 26 imóveis e o bloqueio de bens e valores até o limite de R$ 34,6 milhões.

Rio dos Cedros: afastamento de prefeito e vice coloca a credibilidade política em xeque

Suspeitas de corrupção e fraude em licitações exigem explicações públicas e uma investigação rigorosa.

Rio dos Cedros enfrenta uma grave crise de confiança. O prefeito Jorge Luiz Stolf e o vice-prefeito Rafael Nones foram afastados das funções nesta terça-feira, 6 de outubro, durante a Operação Passe de Mágica, que investiga suspeitas de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. O afastamento é cautelar e não representa condenação, mas coloca a administração municipal sob um questionamento incontornável.

Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, estão sob apuração possíveis direcionamentos de contratos de obras, aquisição de imóveis por terceiros e valorização desses terrenos por intervenções do próprio poder público. A Justiça determinou medidas que incluem o sequestro de 26 imóveis e o bloqueio de bens e valores até aproximadamente R$ 34,6 milhões. Esse limite de bloqueio não deve ser confundido com um prejuízo já comprovado.

A gravidade dessas suspeitas exige muito mais do que discursos preparados para preservar imagem política. Jorge Stolf e Rafael Nones devem explicações à população. Quem recebe a responsabilidade de administrar uma cidade também assume o dever de prestar contas sobre contratos, decisões e recursos públicos.

Caso sejam comprovadas as práticas investigadas, estaremos diante de uma vergonhosa traição à confiança do eleitor. Usar a estrutura pública para favorecer interesses particulares seria uma safadeza contra o cidadão que trabalha, paga impostos e espera serviços dignos.

A credibilidade política não se sustenta apenas em fotografias de inaugurações, promessas e propaganda. Ela depende de conduta, transparência e capacidade de demonstrar que cada decisão atende ao interesse coletivo. Neste momento, a gestão de Rio dos Cedros tem sua credibilidade seriamente questionada pela investigação e pelo afastamento de seus principais dirigentes.

A Câmara de Vereadores precisa exercer sua função fiscalizadora com independência. A população merece informações claras sobre os contratos investigados e sobre a continuidade dos serviços municipais. Lealdade partidária nenhuma pode valer mais do que o compromisso com o dinheiro público.

Os investigados têm direito à defesa, e suas responsabilidades precisam ser estabelecidas com provas. Essa garantia deve caminhar junto com uma cobrança pública firme: apuração completa, transparência e responsabilização de quem tiver cometido irregularidades.

Rio dos Cedros merece uma administração que possa olhar para seus moradores e explicar, com documentos, o destino de cada recurso. Se as suspeitas forem confirmadas, a resposta deve incluir as punições cabíveis e a recuperação de eventuais valores desviados. A confiança do povo não pode ser tratada como instrumento de vantagem pessoal.

OPINIÃO

Fortuna de quase R$ 20 milhões coloca prefeito de Rio dos Cedros entre os mais ricos de SC

Jorge Stolf (PL), eleito prefeito de Rio dos Cedros em 2024, declarou R$ 19.986.342,83 em bens à Justiça Eleitoral.
O patrimônio o colocou na terceira posição entre os prefeitos mais ricos de Santa Catarina, segundo levantamento publicado em novembro de 2025.
A lista, liderada por Sander Just, de Jacinto Machado, considera as declarações dos eleitos no pleito municipal de 2024. O valor chama atenção, mas exige uma leitura responsável: possuir uma fortuna não comprova irregularidade. Da mesma forma, riqueza pessoal não assegura competência para administrar recursos públicos.
Na prefeitura, o que conta é a capacidade de transformar orçamento em serviços para a comunidade.
Para o morador, a avaliação passa pelo atendimento na saúde, pela qualidade das escolas e pela conservação das ruas.
É nessas demandas que uma administração precisa demonstrar suas prioridades.
A declaração de bens oferece ao eleitor uma informação relevante sobre quem ocupa o poder.
Seu valor para a sociedade está na transparência e na possibilidade de acompanhar a evolução patrimonial dos representantes.
Quando surgem dúvidas, cabe ao agente público prestar esclarecimentos com objetividade.
A confiança em um governo se sustenta em decisões claras, gastos justificáveis e prestação de contas.
Rio dos Cedros merece uma gestão avaliada por suas entregas e pelo respeito ao dinheiro do contribuinte.
O patrimônio particular pertence ao governante; a responsabilidade pelo patrimônio público interessa a toda a cidade.
É essa responsabilidade que deve orientar cada decisão tomada no gabinete.

Jornalista Claudir Benini — Folha HNews