As estatinas estão entre os medicamentos mais estudados da cardiologia moderna.
Ainda assim, cercam-se de dúvidas, receios e muita desinformação. Afinal, elas fazem bem ou fazem mal?
À luz das evidências, a resposta é clara: quando bem indicadas, são mais mocinhasdo que vilãs. Esses remédios atuam reduzindo o colesterol LDL, o chamado “colesterolruim”, que tem papel central na formação das placas de gordura nas artérias. E hoje há forte consenso de que reduzir o LDL reduz o risco de infarto, AVC e morte cardiovascular, especialmente em quem já tem doença aterosclerótica ou apresenta risco elevado.
Por isso, as diretrizes de cardiologia mantêm as estatinas como tratamento de primeira linha para prevenção cardiovascular. Em pessoas com doença coronariana crônica, por exemplo, recomenda-se terapia de alta intensidade para reduzir o LDL de forma mais agressiva e, com isso, diminuir novos eventos. Na prevenção primária, ou seja, antes do primeiro infarto ou AVC, a indicação não é para todos indiscriminadamente. Ela depende do risco cardiovascular global, da presença de fatores como diabetes, hipertensão, tabagismo e do cálculo de risco em 10 anos. E os efeitos colaterais? Eles existem, mas precisam ser colocados em perspectiva. O mais comentado é a dor muscular. No entanto, estudos e metanálises mostram que a verdadeira intolerância à estatina é menos comum do que se imagina, e que parte importante dos sintomas atribuídos ao remédio não se confirma quando testada de forma rigorosa.
Também há evidência de que estatinas podem aumentar discretamente o risco de diabetes em algumas pessoas predispostas. Ainda assim, para quem tem risco cardiovascular moderado ou alto, o benefício costuma superar com folga esse riscoadicional.Outro ponto importante: estatinas não substituem estilo de vida.
Alimentação adequada, atividade física, controle do peso, sono e abandono do cigarro continuam sendo pilares da prevenção cardiovascular.
O medicamento entra como aliado, não como licençapara descuidar da saúde.
O erro está em dois extremos: demonizar a estatina quando ela é necessária, ouusá-la sem critério.A decisão correta é individualizada, baseada em risco, benefício eacompanhamento médico.No balanço das evidências, para o paciente certo, na dose certa, a estatina continuasendo uma das grandes aliadas do coração.
