CARRO DE R$ 1,6 MILHÃO EM BLUMENAU

Após período de abandono na zeladoria urbana, a chegada do novo secretário Jociel Junckes renova as esperanças de suspensão do contrato com a Mapzer.

Blumenau vive um paradoxo administrativo. Enquanto os bairros enfrentam o abandono de serviços essenciais, como roçada e limpeza urbana — herança de uma gestão turbulenta do ex-secretário Daniel Hostin —, a Prefeitura optou por investir em tecnologia de luxo. Sob o aval do prefeito Egídio Ferrari, o município contratou a empresa Mapzer para colocar em circulação o carro “caça-buraco”. O veículo, equipado com Inteligência Artificial para identificar problemas nas ruas, custa aos cofres públicos pouco mais de R$ 1,6 milhão por ano (quase R$ 134 mil mensais).

A contratação sofreu forte rejeição na Câmara Municipal. Vereadores apontam que o problema de Blumenau nunca foi a falta de diagnóstico, já que a cidade conta com uma Ouvidoria ativa, engenheiros nas ruas e cerca de 60 assessores parlamentares fiscalizando os bairros. O verdadeiro gargalo da cidade não é identificar os problemas, mas sim ter braço e recurso para executar as obras em tempo hábil. Gastar milhões para mapear o que já se sabe foi classificado como desperdício.

Nova Gestão, Nova Esperança

O cenário ganhou um novo rumo com a exoneração de Daniel Hostin. A nomeação do novo secretário da pasta, Jociel Junckes, renovou as esperanças da população e do Legislativo. Junckes já sinalizou que está auditando a eficiência do veículo e avalia a possibilidade real de suspender o contrato milionário caso fique comprovada a sua ineficácia.A expectativa agora é que o dinheiro do contribuinte deixe de financiar relatórios tecnológicos redundantes e volte a ser investido no que realmente importa: equipes de trabalho e asfalto nas ruas.