Hipertensão arterial: por que 12 por 8 não é mais o ideal – Dra. Luciane Malucelli Fadel

Por muitos anos, aprendemos que a pressão arterial “normal” era 12 por 8. Esse número ficou popular e ainda hoje é usado como referência por muitas pessoas.

No entanto, a medicina evoluiu, e hoje sabemos que esse valor, embora não seja necessariamente ruim, já não representa o ideal para a maioria da população. Atualmente, entende-se que a pressão arterial começa a oferecer risco antes mesmo de atingir níveis considerados hipertensão.

Valores a partir de 12 por 8 já são classificados como limítrofes em algumas diretrizes, especialmente quando associados a outros fatores de risco, como excesso de peso, sedentarismo, diabetes ou colesterol elevado. O ponto principal é que a pressão arterial não funciona como um “interruptor” que liga ou desliga o risco.

Na verdade, quanto mais alta ela está , mesmo dentro de faixas aparentemente normais, maior é a probabilidade de eventos como infarto, AVC e insuficiência cardíaca ao longo dos anos. Por isso, hoje se busca uma pressão mais baixa e controlada, especialmente em pessoas com maior risco cardiovascular. Em muitos casos, valores próximos de 11 por 7 já são considerados mais adequados, desde que o paciente esteja bem, sem sintomas. Outro aspecto importante é que a hipertensão é uma doença silenciosa. Na maioria das vezes, não causa sintomas até que alguma complicação mais grave aconteça. Isso faz com que muitas pessoas só descubram o problema tardiamente. Além disso, não basta medir a pressão apenas em consultas médicas ocasionais.

O acompanhamento regular, inclusive em casa, tem se mostrado fundamental para um diagnóstico mais preciso e um melhor controle. Mudanças no estilo de vida continuam sendo a base do tratamento: reduzir o consumo de sal, manter um peso saudável, praticar atividade física e cuidar do sono são medidas com impacto direto na pressão arterial. Quando necessário, o uso de medicações é seguro e eficaz, ajudando a reduzir significativamente o risco de complicações.

Mais do que atingir um número específico, o objetivo atual é manter a pressão em níveis que realmente protejam o organismo. E, nesse contexto, entender que 12 por 8 pode não ser suficiente é um passo importante para cuidar melhor da saúde.

Luciane Malucelli Fadel CRM/SC 9244 RQE 3784 Cardiologia